Byung-Chul Han e a Sociedade do Cansaço: A Exaustão Como Regra

Byung-Chul Han nasceu em 1959, na Coreia do Sul, e se tornou um dos filósofos mais influentes da atualidade. Sua formação começou na engenharia metalúrgica, mas ele abandonou essa área para estudar filosofia, literatura alemã e teologia na Alemanha, onde vive até hoje. Han se aprofundou na análise da sociedade contemporânea, focando nos impactos da tecnologia, do excesso de informação e do modelo de trabalho moderno sobre a mente humana. Suas obras são um alerta sobre como a sociedade atual nos adoece de maneira sutil, mas devastadora.

Um dos conceitos mais discutidos por ele é o da Sociedade do Cansaço. Segundo Han, vivemos em uma era onde as pessoas não são mais forçadas por um patrão externo, mas por uma pressão interna de produtividade e sucesso. Diferente das sociedades disciplinares do passado, onde o controle era imposto de fora, hoje somos nós que nos exploramos, buscando sempre produzir mais, criar mais, engajar mais. Isso gera um esgotamento constante, pois nunca sentimos que estamos fazendo o suficiente.

O impacto desse modelo é evidente. No trabalho, as pessoas vivem conectadas 24 horas por dia, checando e-mails, atendendo mensagens e acumulando tarefas que nunca terminam. O lazer se tornou uma extensão da produtividade—viajamos para postar fotos, lemos para parecer intelectuais, fazemos exercícios para exibir resultados. Tudo virou um espetáculo, e o descanso genuíno parece um luxo perdido.

Nas relações, o cansaço se reflete em interações superficiais. Com tantas demandas e distrações, a profundidade dos vínculos se esvai. As conversas são rápidas, os encontros são efêmeros, o compromisso se tornou um peso. É cada vez mais comum ver casais exaustos, amizades desgastadas pelo excesso de telas e interações digitais que substituem o contato humano real.

E nos objetivos? Muitas vezes, seguimos metas que não são nossas, mas impostas por essa sociedade da exaustão. Trabalhamos sem sentido, consumimos sem necessidade, perseguimos padrões que nos fazem infelizes. A pressão para sermos bem-sucedidos, produtivos e relevantes nunca dá trégua. O resultado? Ansiedade, depressão, burnout e um sentimento constante de insuficiência.

Byung-Chul Han nos convida a refletir: é possível escapar desse ciclo? Como recuperar o tempo, a atenção e a essência que perdemos? Talvez a resposta não esteja em fazer mais, mas em fazer menos, com mais significado. Em escolher o que vale nosso esforço e, principalmente, o que podemos abandonar sem culpa.

Tristan Tell

Cineasta, Jornalista, Escritor e Editor Responsável pelas Publicações Verve

@tristantell_escritor

Compartilhe este conteúdo...

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicações Verve

Categorias

Categorias

Colunistas