A Concentração do Dinheiro no Mercado Financeiro: O Impacto das Tarifas de Manutenção no Brasil, por TRISTAN TELL

Imagine entrar em um campo de futebol e, ao invés de jogadores e torcedores, encontrar pilhas de cédulas de R$100 empilhadas até a altura de 2 metros, preenchendo dois campos inteiros. Esse é o impacto visual de um único mês de arrecadação dos bancos tradicionais brasileiros com tarifas de manutenção de contas bancárias, que totalizam R$13,52 bilhões. Anualmente, esse valor alcança impressionantes R$162,24 bilhões — cifras que evidenciam o papel central do sistema bancário na concentração de riqueza no país.

A Estrutura do Mercado Bancário no Brasil O Brasil conta com 10 principais bancos tradicionais, que dominam o mercado financeiro e incluem: Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander Brasil, BTG Pactual, Banco Safra, Sicredi, Sicoob e Citibank Brasil. Juntos, esses bancos concentram a maior parte das contas formais, com um total de aproximadamente 901,3 milhões de contas bancárias, excluindo as contas salário gratuitas.

Enquanto isso, as fintechs têm demonstrado crescimento acelerado, somando cerca de 2.048 empresas e 251 milhões de contas ativas. Elas têm trazido inovação ao setor, oferecendo soluções digitais mais acessíveis, com tarifas reduzidas ou gratuitas. Apesar disso, elas ainda ocupam uma posição secundária frente aos gigantes tradicionais do mercado.

Automação e Inclusão Financeira O sistema bancário no Brasil é altamente automatizado: 90% das transações bancárias são realizadas de forma eletrônica, seja por internet banking, Pix ou aplicativos móveis. Esse nível de automação reflete uma modernização crescente, mas também revela a exclusão de parte da população que não tem acesso à tecnologia ou reside em áreas remotas. Além disso, o mercado informal ainda emprega cerca de 40 milhões de trabalhadores, muitos dos quais têm dificuldade de acessar serviços financeiros básicos.

Por Que a Desigualdade Persiste? Embora o Brasil não seja único em ter um sistema bancário concentrado e lucrativo, a desigualdade no país é particularmente acentuada devido a fatores históricos e estruturais. Bancos tradicionais possuem uma longa história de domínio, enquanto as fintechs ainda enfrentam desafios para competir e ganhar confiança. A informalidade elevada e a exclusão financeira também contribuem para perpetuar desigualdades econômicas que são menos evidentes em economias mais desenvolvidas.

Conclusão As cifras envolvidas na manutenção de contas bancárias são apenas uma parte do sistema financeiro, mas ilustram como os bancos tradicionais concentram riqueza de forma desproporcional. Ao mesmo tempo, as fintechs oferecem esperança de mudança, promovendo maior acessibilidade e competição. Para enfrentar as desigualdades no setor, é essencial aumentar a inclusão financeira e equilibrar os poderes entre os diferentes players do mercado.

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Visualizando os R$13,52 Bilhões em Cédulas – O Cenário dos Campos de Futebol

Para compreender o volume extraordinário de dinheiro arrecadado mensalmente com tarifas bancárias no Brasil, imagine o seguinte cálculo:

Cálculo Simplificado:

  • Valor arrecadado mensalmente: R$13,52 bilhões.
  • Cédulas de R$100 usadas: 135,2 milhões de cédulas.
  • Dimensão de um campo de futebol: 7.000 m² (105 m de comprimento por 68 m de largura).

Distribuindo uniformemente essas cédulas em dois campos de futebol, teríamos:

  • Altura média das pilhas: 2 metros, equivalente a uma pessoa adulta.
  • Isso preenche dois campos inteiros com dinheiro, formando um impacto visual impressionante.

O Surgimento do Sistema Financeiro no Brasil

O sistema bancário brasileiro começou a tomar forma no início do século XIX. O primeiro banco do país, o Banco do Brasil, foi fundado em 1808, junto com a chegada da família real portuguesa. Esse marco histórico iniciou a organização financeira do país.

Hoje, em 2025, o Brasil tem 517 anos desde o seu descobrimento em 1500 e 217 anos desde o início formal do sistema financeiro. Apesar desse tempo, o país ainda enfrenta desafios de distribuição de riqueza.


Para Onde Foi o Dinheiro e Onde Está a Riqueza do Brasil?

Grande parte da riqueza brasileira está concentrada nos seguintes setores:

  1. Sistema Financeiro: Bancos tradicionais e fintechs movimentam bilhões, mas grande parte da receita provém das classes médias e baixas, que pagam tarifas bancárias desproporcionais.
  2. Agronegócio: É um dos setores mais lucrativos, mas concentra riqueza em grandes propriedades e exportadores, com pouca redistribuição para pequenos produtores e consumidores.
  3. Indústria e Serviços: Embora produtivos, enfrentam alta carga tributária e custos elevados, reduzindo a competitividade e os investimentos internos.
  4. Royalties e Commodities: Apesar da abundância de petróleo, minério de ferro e outras riquezas naturais, os lucros nem sempre são reinvestidos em infraestrutura ou qualidade de vida.

Por Que o Brasil Não é um País de Primeiro Mundo?

Mesmo sendo uma das maiores economias do mundo, o Brasil ainda enfrenta barreiras significativas para alcançar o status de país de primeiro mundo:

  • Desigualdade Social: A concentração de renda está entre as mais altas do mundo, dificultando o acesso equitativo a oportunidades.
  • Educação e Tecnologia: Investimentos insuficientes em educação e inovação limitam a competitividade global do país.
  • Infraestrutura: Problemas com estradas, saneamento básico e transporte comprometem o desenvolvimento sustentável.
  • Corrupção e Gestão Pública: A má gestão dos recursos públicos e a corrupção histórica desviam riqueza que poderia ser usada para desenvolvimento.
  • Carga Tributária: O sistema de impostos é complexo e regressivo, penalizando as classes mais baixas.

O sistema financeiro, enquanto uma potência econômica, também exemplifica as contradições do Brasil: um setor altamente moderno e automatizado, mas que reflete e perpetua desigualdades profundas. Para romper essas barreiras, o país precisa de reformas estruturais que promovam maior inclusão e redistribuição.

TRISTAN TELL

Bacharel em Comunicação, habilitado em Cinema pela FAAP(1986-90). Jornalista c/ 31 anos de experiência em veículos de comunicação como TV Record, TV Bandeirantes e diversos jornais.

Músico ( EP – Espinha Dorsal) e Poeta é Autor de 06 livros

www.tristantell.com.br

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